Alien: o terror no espaço que mudou a ficção científica no cinema
No espaço, ninguém pode ouvir você gritar. A frase virou uma das mais famosas da história do cinema, e ela resume bem o que Alien fez em 1979: pegou o medo mais primitivo do ser humano e trancou-o dentro de uma nave da qual não há para onde fugir.
Terror disfarçado de ficção científica
Dirigido por Ridley Scott a partir de um roteiro de Dan O'Bannon, Alien não tinha pressa. O filme constrói tensão devagar, apresentando a tripulação cansada e comum da nave de carga Nostromo antes de qualquer susto.
Nada de heróis musculosos. São trabalhadores entediados, preocupados com pagamento, que respondem a um chamado de socorro por obrigação.
Quando o horror chega, ele encontra gente real — e isso torna tudo mais aterrorizante.
A criatura que saiu de pesadelos
O grande trunfo visual de Alien veio da mente do artista suíço H.R. Giger. Sua criatura, o Xenomorfo, é uma mistura perturbadora de orgânico e mecânico, sexual e mortal, brilhante e escura.
Não parece nada que o cinema havia mostrado antes.
O design rendeu ao filme o Oscar de melhores efeitos visuais e fixou o monstro no imaginário popular para sempre. Décadas depois, ele continua sendo um dos rostos — ou bocas — mais reconhecíveis do gênero.
A cena que ninguém esquece
Se há um momento que define Alien, é o do chestburster. Durante uma refeição aparentemente tranquila, a criatura irrompe violentamente do peito de um tripulante.
Conta a lenda que o elenco não sabia exatamente o que iria acontecer, e parte do choque nas reações é genuíno.
O efeito foi tão visceral que entrou para a lista das cenas mais marcantes da história do cinema. Brutal, inesperada e impossível de desver.
Ripley muda as regras
Alien também entregou uma das maiores reviravoltas de roteiro do gênero: a pessoa que sobrevive não é o capitão nem o herói óbvio. É Ellen Ripley, vivida por Sigourney Weaver.
Numa época em que mulheres em filmes de terror costumavam ser vítimas, Ripley era competente, racional e dura na queda.
O papel lançou a carreira de Weaver e criou um modelo de protagonista que influenciaria o cinema por gerações. Sem esquecer, claro, do gato Jonesy.
Uma franquia que não para de render
O sucesso pediu continuação, e ela veio com uma mudança de tom inteligente. Em 1986, James Cameron assumiu Aliens e trocou o terror claustrofóbico por ação tensa, com vários monstros no lugar de um.
A partir dali, a franquia se ramificou em sequências, prelúdios, cruzamentos e games.
Nem todos os capítulos acertaram o alvo, mas o original permanece intocável. Alien provou que dava para fazer terror inteligente com cara de ficção científica, e estabeleceu um padrão de medo que o cinema persegue até hoje.
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