← Voltar ao blog
Curiosidades

Blink-182: os palhaços do pop-punk que definiram uma geração

Existe um som específico que define o começo dos anos 2000: uma guitarra acelerada, um refrão que gruda na primeira audição e uma piada de mau gosto no meio do caminho. Esse som tem nome. Blink-182.

Blink-182 ao vivo

Três acordes e uma piada

A banda nasceu em 1992 em Poway, perto de San Diego, na Califórnia. No começo se chamava só Blink, mas uma banda irlandesa com o mesmo nome obrigou a turma a inventar uma saída rápida: acrescentaram o número 182, escolhido praticamente no chute, e pronto.

A formação clássica reúne Mark Hoppus no baixo e vocal, Tom DeLonge na guitarra e vocal, e Travis Barker na bateria. Barker, aliás, só entrou em 1998, no lugar de Scott Raynor — e mudou a banda de patamar. O disco Dude Ranch (1997), com Dammit, já mostrava para onde aquilo ia.

Enema of the State e a fama instantânea

Em 1999, Enema of the State transformou três moleques em estrelas mundiais. What's My Age Again?, All the Small Things e Adam's Song tocavam sem parar, e os clipes — incluindo aquele em que os três correm pelados pela rua — viraram marca registrada.

O que fazia o Blink funcionar era o contraste. Por baixo da piada de adolescente, havia composição afiada e, às vezes, peso real. Adam's Song, sobre depressão e suicídio, mostrava que aqueles palhaços levavam a música mais a sério do que admitiam.

Crescer doeu

Take Off Your Pants and Jacket (2001) chegou direto ao topo das paradas americanas. Dois anos depois, o autointitulado Blink-182 (2003) jogou tudo para o lado mais sombrio e maduro, com I Miss You e Feeling This — a banda tinha crescido, e a música também.

E então tudo desabou. Em 2005, veio o primeiro hiato.

O que veio depois foi de embrulhar o estômago.

O acidente, o câncer e a sobrevivência

Em 2008, Travis Barker sofreu um acidente de avião que matou quatro pessoas e o deixou com queimaduras graves. A tragédia, por mais cruel que pareça, foi o que reaproximou a banda — em 2009 eles voltaram a tocar juntos.

Mas a estabilidade não durou. Tom DeLonge saiu de novo em 2015 e foi substituído por Matt Skiba, do Alkaline Trio, que assinou California (2016), outro número 1, e Nine (2019). Em 2021, Mark Hoppus revelou estar com câncer — e, felizmente, se recuperou.

Travis Barker na bateria

One More Time e a volta dos três

Em 2022, Tom DeLonge voltou, e a formação clássica se reuniu de novo. O resultado, One More Time... (2023), estreou em primeiro lugar e provou que a química original nunca tinha realmente sumido.

O legado é difícil de medir. Praticamente toda banda de pop-punk que veio depois deve alguma coisa ao Blink — e vale lembrar a lista do que eles ajudaram a tornar regra do gênero:

  • refrões enormes em músicas de menos de três minutos;
  • humor adolescente como parte da identidade, não apenas como piada;
  • a percepção de que dava para falar de coisa séria sem largar a leveza.

Leia também