A história do Pac-Man: como uma fatia de pizza virou ícone dos arcades
Poucos personagens dispensam apresentação como aquele círculo amarelo que vive fugindo de fantasmas por um labirinto. Quando o Pac-Man estreou nos fliperamas japoneses em 1980, ninguém imaginava que aquele desenho simples se tornaria um dos símbolos mais reconhecíveis da história dos videogames — e que continuaria divertindo gerações mais de quatro décadas depois.

A fatia que faltava
O Pac-Man nasceu das mãos de Toru Iwatani, um jovem designer da Namco que queria fugir dos jogos de tiro e naves espaciais que dominavam os arcades no fim dos anos 1970. A ideia era criar algo que atraísse também o público feminino, então Iwatani apostou em comida e em um personagem inofensivo. A inspiração mais famosa para o formato do herói veio, segundo o próprio criador, de uma pizza com uma fatia removida. O nome original era Puck Man, em referência ao som japonês "paku-paku", que imita o ato de abrir e fechar a boca ao comer.
Por que virou Pac-Man no Ocidente
Quando o jogo cruzou o oceano para os Estados Unidos, distribuído pela Midway, os executivos temeram uma brincadeira óbvia: bastava raspar parte da letra P de "Puck" para transformar o nome em um palavrão. Para evitar o vandalismo nos gabinetes, o título foi rebatizado como Pac-Man. A mudança pegou, e foi com esse nome que o personagem conquistou o mundo a partir de 1980.
Quatro fantasmas, quatro personalidades
Boa parte da genialidade do Pac-Man está nos inimigos. Os quatro fantasmas — Blinky, o vermelho; Pinky, o rosa; Inky, o azul; e Clyde, o laranja — não se movem ao acaso. Cada um segue uma lógica própria: Blinky persegue o jogador diretamente, Pinky tenta emboscá-lo se posicionando à frente, Inky tem o comportamento mais imprevisível e Clyde alterna entre caçar e vagar pelos cantos. Essa variação faz com que o labirinto pareça vivo, e foi um dos motivos pelos quais o jogo nunca cansa.

A tela que ninguém conseguia vencer
Pac-Man não tem um final convencional. O jogo simplesmente continua, fase após fase, até a 256ª. Ali, um erro de programação relacionado ao limite de um byte faz com que metade da tela se transforme em um amontoado ilegível de símbolos e números. É a célebre "kill screen", uma barreira intransponível criada por acidente que se tornou lendária entre os jogadores e historiadores dos arcades.
O jogo perfeito
Por causa dessa tela 256, existe uma pontuação máxima teórica: 3.333.360 pontos, alcançados ao comer todos os pontos, frutas, energizadores e fantasmas possíveis sem perder uma única vida ao longo de todas as fases jogáveis. Esse feito, conhecido como "jogo perfeito", só foi registrado oficialmente em 1999 — quase vinte anos depois do lançamento. É um lembrete de como um título aparentemente simples esconde uma profundidade enorme.
Um ícone muito além do fliperama
Poucos jogos transbordaram tanto para a cultura pop quanto o Pac-Man. Ele ganhou desenho animado, uma sequência estrelada por Ms. Pac-Man em 1982, uma infinidade de produtos licenciados e até uma música de sucesso nas rádios americanas, a "Pac-Man Fever". Reconhecido pelo Guinness como o jogo de arcade operado por moedas de maior sucesso, ele segue presente em consoles, celulares e na memória afetiva de quem cresceu enfileirando moedas no fliperama.
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