My Hero Academia: como Kohei Horikoshi reinventou o mangá de super-herói
Quando quase todo mundo ao seu redor nasce com um superpoder, o que acontece com quem não tem nenhum? Essa pergunta, simples na superfície, sustentou uma das franquias de mangá mais influentes dos últimos dez anos.
Um mundo onde quase todo mundo tem superpoder
Em My Hero Academia, cerca de 80% da população nasce com uma "Individualidade" — um poder que vai de super-força a controle de gelo, passando por habilidades tão estranhas quanto inúteis. Izuku Midoriya, o protagonista, está no grupo sem nenhuma: é "sem-individualidade" num mundo que trata isso como quase uma deficiência. Mesmo assim, ele sonha em ser herói profissional — a mesma carreira idolatrada, regulamentada e televisionada que rejeita gente como ele.
All Might entra em cena
O encontro que muda tudo é quase acidental. All Might, o herói número um do Japão, cruza o caminho de Midoriya justamente no dia em que precisa escolher um sucessor para o One For All — o poder que ele próprio herdou e que se transmite de pessoa para pessoa. A escolha recai sobre o garoto sem poder nenhum, e o restante da série acompanha Midoriya, apelidado "Deku", tentando se tornar digno de uma força que não nasceu com ele.
Por que a fórmula funcionou tão rápido?
A série estreou na Weekly Shonen Jump em julho de 2014 e ganhou anime pela Bones já em abril de 2016 — uma virada rápida para os padrões da revista, sinal de que a editora via ali um sucessor em potencial para o vácuo deixado por franquias como Naruto. Funcionou: a combinação de escola de heróis, rivalidades entre estudantes e vilões com motivações complexas deu ao mangá uma identidade própria dentro do gênero shonen, sem depender só da comparação com clássicos anteriores.
A U.A. e os vilões que a série construiu
Boa parte da força de My Hero Academia está nos antagonistas, quase sempre tratados com mais nuance do que o gênero costuma permitir:
- All For One, o vilão que rouba poderes e opõe-se a All Might havia décadas;
- Liga dos Vilões, liderada por Tomura Shigaraki, herdeiro simbólico de All For One;
- Overhaul, do arco da Yakuza, um dos pontos mais sombrios da história;
- Dabi, cujo passado reescreve a mitologia da própria U.A.
Esses arcos deram à série um tom mais denso conforme avançava, sem abandonar o otimismo que a diferenciava logo no início.
O fim de uma era
A serialização na Weekly Shonen Jump terminou em 5 de agosto de 2024, no capítulo 430. Kohei Horikoshi, porém, ainda tinha algo a fechar: um capítulo extra, o 431, saiu junto do último volume encadernado em dezembro de 2024, como um epílogo pensado para "libertar" os personagens de vez, nas palavras do próprio autor em sua mensagem de despedida aos leitores.
Legado
Dez anos depois da estreia, My Hero Academia deixa um catálogo de sete temporadas de anime, múltiplos filmes e uma influência visível em boa parte do shonen que veio depois. Mais do que os poderes ou as brigas, o que ficou foi a ideia central: heroísmo não é dom, é escolha — e às vezes quem menos parece destinado a ele é quem mais precisa provar isso.
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