Poppy: da boneca surreal do YouTube à indicada ao Grammy de metal
Quem assistia àqueles vídeos perturbadores no YouTube por volta de 2015 jamais imaginaria onde aquela garota de voz robótica iria parar: indicada ao Grammy na categoria de metal. A trajetória de Poppy é uma das mais estranhas e fascinantes da música recente.

Quem é Poppy, afinal?
Por trás do nome está Moriah Rose Pereira, nascida em 1995, nos Estados Unidos. Ela ficou conhecida primeiro como uma figura enigmática do YouTube, em vídeos curtos e surreais ao lado do diretor Titanic Sinclair.
Naqueles clipes, Poppy falava como um robô, repetia frases sem sentido e encarava a câmera com um sorriso vazio. Era arte performática disfarçada de conteúdo viral, uma sátira sobre fama, internet e a ideia de transformar gente em produto.
Do electropop ao metal
A música acompanhou a estranheza. O primeiro disco, Poppy.Computer (2017), era electropop colorido e artificial, totalmente coerente com a persona robótica. Já Am I a Girl? (2018) começou a injetar guitarras pesadas no meio do pop.
Ninguém sabia direito em que gaveta colocá-la — e era exatamente esse o ponto.
E quando ela virou metal de verdade?
A virada aconteceu com I Disagree (2020), um disco que jogou de vez para o peso, misturando nu-metal, pop e elementos industriais. Concrete e BLOODMONEY mostraram uma artista capaz de ir do refrão doce ao grito brutal na mesma faixa.
I disagree.
Foi a confirmação de que aquilo não era fase nem piada: Poppy levava o metal a sério, do jeito dela.
História no Grammy
O reconhecimento veio de onde poucos esperavam. BLOODMONEY rendeu a Poppy uma indicação ao Grammy de Melhor Performance de Metal, e ela entrou para a história como a primeira artista mulher a concorrer sozinha nessa categoria.
Num gênero historicamente dominado por homens, foi um marco que ultrapassou a própria música.

Consolidação
Depois vieram Flux (2021), mais próximo do rock alternativo e do grunge, e Zig (2023). Em 2024, sua participação em Suffocate, do Knocked Loose, rendeu mais uma indicação ao Grammy de metal e a aproximou de vez do público hardcore.
Da boneca perturbadora do YouTube ao palco de festival de metal, Poppy construiu algo raro: uma carreira impossível de prever, que faz da reinvenção constante a própria identidade.
Leia também

Bad Omens: o metalcore que viralizou e dividiu opiniões
Com The Death of Peace of Mind, o Bad Omens saiu do underground para o mainstream e provou que metalcore também viraliza no TikTok.

Sleep Token: o mistério mascarado que abalou o metal moderno
Máscaras, anonimato e uma mitologia em torno de uma divindade chamada Sleep: como o Sleep Token virou um dos maiores fenômenos do metal sem mostrar o rosto.

Bring Me the Horizon: do deathcore ao topo do rock moderno
Nenhuma banda mudou tanto de pele: do deathcore caótico de Sheffield aos estádios e ao rock eletrônico de hoje, a transformação do Bring Me the Horizon.
