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Rock

Sepultura se despede: o metal brasileiro que conquistou o mundo

Quando quatro garotos de Belo Horizonte montaram o Sepultura em 1984, ninguém apostaria que dali sairia a banda de metal mais influente já exportada pelo Brasil. Quatro décadas depois, a história caminha para o ponto final — e é uma boa hora para entender o tamanho do que eles construíram.

Sepultura ao vivo
O Sepultura levou o metal brasileiro aos maiores palcos do mundo.

Belo Horizonte, e não Birmingham

O metal extremo costuma ter sotaque britânico ou americano nas suas origens. O Sepultura escreveu um capítulo com sotaque mineiro.

Fundada pelos irmãos Max e Igor Cavalera, a banda saiu do underground brasileiro num tempo sem internet, sem gravadora grande e sem dinheiro. Tudo era no peito, na fita demo e na carta enviada para o exterior.

A trinca que mudou tudo

O salto veio numa sequência de discos que entrou para a história do gênero:

  • Beneath the Remains (1989), o álbum que abriu as portas lá fora
  • Arise (1991), que consolidou a banda no circuito mundial
  • Chaos A.D. (1993), mais cru, político e pesado

De repente, uma banda brasileira dividia respeito com os gigantes do thrash. Não era cota, era qualidade.

Roots e a virada de chave

Em 1996 veio o disco que os tornou inconfundíveis. Roots misturou o peso do metal com percussão e raízes brasileiras, incluindo a participação de Carlinhos Brown na faixa "Ratamahatta".

Foi ousado e dividiu a base de fãs. Mas plantou uma ideia que ecoa até hoje: dava para fazer metal de respeito mundial sem fingir ser de outro lugar.

Capa do single Roots Bloody Roots
"Roots Bloody Roots", single de abertura do disco Roots (1996).

Saídas, recomeços e resistência

Logo depois de Roots, Max Cavalera deixou a banda. Anos mais tarde, Igor também saiu. Muita gente decretou o fim ali.

Estavam enganados. Com Derrick Green nos vocais e Andreas Kisser na guitarra, o Sepultura seguiu gravando e rodando o mundo por mais duas décadas, provando que o nome era maior que qualquer formação.

O último acorde

A turnê de despedida, batizada de "Celebrating Life Through Death", começou em 2024 e tem encerramento marcado para 7 de novembro de 2026, em São Paulo. Antes disso, a banda ainda lançou o EP "The Cloud of Unknowing", em 2026, como registro final de estúdio.

Quarenta e dois anos depois daquele começo improvável em Minas, o Sepultura encerra a estrada deixando uma lição simples: o metal brasileiro nunca precisou pedir licença para ser levado a sério.

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