Slipknot: o caos mascarado que reinventou o metal
Macacões idênticos, máscaras grotescas e um número costurado em cada integrante. Quando o Slipknot subiu ao palco pela primeira vez no fim dos anos 1990, parecia mais um culto do que uma banda — e era exatamente essa a ideia.

Des Moines, 1995
O Slipknot nasceu em Des Moines, no estado de Iowa, longe de qualquer cena musical badalada dos Estados Unidos. O percussionista Shawn Crahan, o "Clown", foi o motor da ideia: uma banda grande, barulhenta e visualmente perturbadora, que misturasse metal pesado com percussão tribal e samples.
A formação clássica chegou a nove integrantes — algo impensável para uma banda de metal. Bateria, dois guitarristas, baixo, vocal, dois percussionistas, um DJ e um responsável por samples e teclados dividiam o mesmo palco apertado.
O resultado era uma parede de som densa, com camadas de percussão e ruído que nenhuma banda de quatro ou cinco integrantes conseguiria reproduzir. O excesso era o ponto.
O vocalista Corey Taylor entrou em 1997 e deu à banda a voz que faltava: capaz de sair de um grito gutural para um refrão melódico na mesma faixa.
Nove máscaras, nove números
A identidade visual virou parte da música. Cada integrante usava uma máscara própria e um número de 0 a 8, abrindo mão do rosto e até do nome no palco.
- #8 Corey Taylor — vocais
- #6 Shawn "Clown" Crahan — percussão e fundador
- #1 Joey Jordison — bateria, um dos bateristas mais admirados de sua geração
- #2 Paul Gray — baixo, outro fundador e principal compositor dos primeiros discos
- #0 Sid Wilson — toca-discos
As máscaras mudam a cada era de disco, envelhecendo junto com a banda. Os fãs ganharam até nome próprio: os "maggots".
O disco que estourou a porta
Em 1999, o álbum de estreia homônimo saiu pela Roadrunner, produzido por Ross Robinson. "Wait and Bleed", "Spit It Out" e "Surfacing" levaram a fúria de Iowa para o mundo, e a turnê interminável transformou o Slipknot em fenômeno do Ozzfest.
Dois anos depois veio Iowa (2001), mais escuro, mais raivoso, gravado num clima de quase autodestruição. Para muita gente, é o disco de metal mais pesado já lançado por uma banda desse porte.
Estavam só começando.
O amadurecimento e o Grammy
Vol. 3: (The Subliminal Verses), de 2004, mudou o jogo. Produzido por Rick Rubin, o disco mostrou um Slipknot capaz de dinâmica e melodia sem perder o peso. "Duality" virou hino, "Vermilion" revelou ambição e "Before I Forget" rendeu à banda o Grammy de Melhor Performance de Metal em 2006.
A partir dali, o Slipknot deixou de ser apenas a banda das máscaras assustadoras para ser levado a sério como uma das forças criativas do metal moderno. All Hope Is Gone (2008) chegou ao topo da parada americana — algo raro para o gênero.

A perda de Paul Gray
Em maio de 2010, Paul Gray foi encontrado morto num quarto de hotel, vítima de overdose. A banda perdia o baixista, fundador e principal arquiteto de seu som.
Por um tempo, o futuro do Slipknot ficou em dúvida. A resposta veio em 2014, com .5: The Gray Chapter, um disco-tributo cujo próprio título carrega o nome do amigo.
Anos depois, em 2021, o grupo perderia também Joey Jordison, que havia deixado a banda em 2013. Duas ausências que marcaram para sempre a história do grupo.
Um show que é quase um ritual
Quem nunca viu o Slipknot ao vivo tem dificuldade de entender o tamanho do espetáculo. São nove pessoas em cena, cada uma puxando para um lado, num caos coreografado.
Os percussionistas batem em barris de metal montados sobre plataformas hidráulicas que sobem, giram e às vezes pegam fogo. O "Clown" se pendura de cabeça para baixo. A plateia responde como uma só massa.
Há quem ame, há quem ache exagero. Indiferença é a única reação impossível.
Foi essa intensidade física, e não só os discos, que construiu a lenda da banda nos palcos do mundo inteiro.
Um culto que virou instituição
Hoje o Slipknot comanda o próprio festival, o Knotfest, que percorre o mundo e reúne o que há de mais pesado no metal. Discos como We Are Not Your Kind (2019) seguiram chegando ao topo das paradas, provando que o público nunca foi passageiro.
A influência aparece em uma geração inteira de bandas mais novas, que cresceram vendo nove mascarados de Iowa provarem que metal extremo também podia preencher arenas.
O que começou como um experimento perturbador de garotos entediados virou uma das bandas mais influentes das últimas três décadas. As máscaras continuam lá — mas, por baixo delas, está uma das histórias mais improváveis e poderosas do metal.
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