← Voltar ao blog
Filmes & Séries

The Matrix: como os Wachowski reescreveram o cinema de ação

Existe cinema de ação antes e depois de 1999. The Matrix não inventou a ficção científica nem o kung fu no cinema, mas juntou tudo de um jeito tão novo que virou divisor de águas. Por baixo dos óculos escuros e dos casacos de couro, havia perguntas grandes sobre realidade, controle e livre-arbítrio.

Neo em The Matrix
Keanu Reeves como Neo, o programador que descobre que a realidade é uma simulação.

E se o mundo fosse uma simulação?

Thomas Anderson é um programador comum que, à noite, hackeia sob o nome Neo. Ele sente que algo está errado com o mundo, mas não sabe o quê.

A resposta vem na forma de uma escolha que entrou para a cultura pop: a pílula vermelha ou a azul. Uma revela a verdade; a outra deixa tudo como estava.

A verdade é brutal. O mundo "real" é uma simulação criada por máquinas para manter a humanidade dócil enquanto serve de bateria viva.

O elenco certo nos papéis certos

Keanu Reeves dá a Neo a confusão silenciosa de quem acabou de descobrir que nada é real. Laurence Fishburne, como Morpheus, é o mentor com fé inabalável. Carrie-Anne Moss transforma Trinity em uma das heroínas de ação mais influentes da década.

E há Hugo Weaving, como o Agente Smith — um vilão de voz arrastada e ódio crescente pela humanidade, que rouba toda cena em que aparece.

Bullet time: o efeito que todos copiaram

A cena do telhado mudou o cinema. Neo se inclina para trás esquivando de balas enquanto a câmera gira ao redor dele em câmera lentíssima, com os projéteis visíveis no ar.

O efeito, batizado de bullet time, foi criado com dezenas de câmeras disparando em sequência. O impacto foi imediato: nos anos seguintes, de comerciais a paródias, todo mundo tentou imitar.

Poucos efeitos visuais marcaram tanto uma época a ponto de virar sinônimo do próprio filme.

Cena de bullet time
O efeito bullet time virou sinônimo do filme e foi copiado à exaustão nos anos seguintes.

De onde veio tanta ideia?

Os Wachowski nunca esconderam as influências, e a mistura é o que torna o filme único:

  • O cyberpunk literário, de William Gibson e companhia;
  • O anime japonês, em especial Ghost in the Shell, com seus hackers e mundos digitais;
  • O cinema de ação de Hong Kong, com coreografias de luta dirigidas por Yuen Woo-ping;
  • Filosofia e mitologia, de Platão a referências bíblicas espalhadas pelos nomes.

Nada disso era novo sozinho. Junto, virou algo que ninguém tinha visto.

O reconhecimento

Lançado como uma aposta de risco, The Matrix foi um sucesso de bilheteria e crítica. Levou quatro Oscars técnicos, incluindo melhores efeitos visuais e edição, batendo concorrentes de orçamento muito maior.

Mais importante: provou que o público estava pronto para um blockbuster que também queria fazer pensar. Ação e ideias não precisavam ser inimigas.

Um legado que não desliga

As sequências dividiram opiniões, mas o primeiro filme permanece intocável. Suas imagens — a chuva de código verde, os óculos espelhados, o salto entre prédios — estão tatuadas no imaginário coletivo.

Mais de duas décadas depois, "tomar a pílula vermelha" virou expressão, para o bem e para o mal. Poucos filmes de ação conseguem ser ao mesmo tempo tão divertidos e tão citados. The Matrix é um deles.

Leia também