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Animes

Demon Slayer: como Kimetsu no Yaiba conquistou o mundo

Pouca gente apostaria que a história de um garoto vendedor de carvão viraria um dos maiores fenômenos da cultura pop japonesa. Mas foi o que aconteceu com Kimetsu no Yaiba — Demon Slayer — uma obra que juntou um traço relativamente simples no papel a uma animação de tirar o fôlego na tela, e nunca mais soltou o público.

Tanjiro e Nezuko

Sheffield não, Tóquio: o começo no papel

Demon Slayer nasceu como mangá em 2016, escrito e desenhado por Koyoharu Gotouge na revista Weekly Shonen Jump. A premissa é direta e cruel: Tanjiro Kamado volta para casa e encontra a família inteira massacrada por demônios. A única sobrevivente, sua irmã Nezuko, foi transformada num deles.

A partir daí, a missão é dupla — vingar a família e encontrar uma cura para Nezuko. O mangá terminou em 2020 com 23 volumes, uma história enxuta para os padrões do gênero, sem se arrastar por centenas de capítulos.

A ufotable e o segredo da explosão

Se a história prendia, foi a adaptação que virou a chave. O estúdio ufotable estreou o anime em 2019 misturando animação tradicional com efeitos digitais de um jeito que poucos tinham visto.

O episódio 19 da primeira temporada virou lenda da noite para o dia. A cena em que Tanjiro usa a Dança do Deus do Fogo, com a água azul cortando a tela, viralizou no mundo todo e fez as buscas pelo anime dispararem. Aquele único episódio mostrou o teto de qualidade que a série conseguia atingir.

O filme que superou Spirited Away

Em 2020, no auge da pandemia, chegou aos cinemas Demon Slayer: Mugen Train. O que aconteceu em seguida entrou para a história.

O longa se tornou a maior bilheteria da história do cinema japonês, ultrapassando A Viagem de Chihiro, do Studio Ghibli, um recorde que parecia intocável. Foi também o filme mais lucrativo de 2020 no mundo, num ano em que as salas de cinema estavam fechando por toda parte.

Um anime baseado num arco do mangá fez o que nenhum blockbuster de Hollywood conseguiu naquele ano.

Por que tanta gente se apega

Demon Slayer não reinventa a roda do shonen. O que ele faz é executar o básico com uma sinceridade rara. Alguns motivos que explicam o apego do público:

  1. Tanjiro é gentil. Mesmo com demônios, ele costuma sentir compaixão pelo humano que aquela criatura já foi.
  2. Nezuko luta pela própria humanidade em vez de virar uma donzela em perigo.
  3. Os vilões têm passado. Muitos demônios ganham um flashback que humaniza a tragédia da própria queda.
  4. A morte importa. A série não tem medo de matar personagens queridos, o que dá peso real a cada batalha.

É um shonen sobre perda, luto e seguir em frente — embrulhado em lutas espetaculares.

Os Hashira e a reta final

Conforme a trama avança, entram em cena os Hashira, os nove espadachins de elite do Esquadrão de Extermínio de Demônios. Cada um domina um estilo de respiração diferente — água, chama, vento, serpente, inseto — e carrega uma personalidade marcante.

Do outro lado está Muzan Kibutsuji, o primeiro demônio e o vilão que assombra toda a história. A trilogia de filmes do arco do Castelo Infinito, anunciada para encerrar a saga nos cinemas, transforma esse confronto final num dos eventos mais aguardados da animação japonesa recente.

Um fenômeno que abriu portas

O sucesso de Demon Slayer fez mais do que vender bonecos e mangás. Ele provou para a indústria que um anime com produção de cinema podia furar a bolha e alcançar quem nunca tinha assistido nada do gênero.

Veio numa onda que incluiu Jujutsu Kaisen e o renascimento de outras franquias, mas foi Demon Slayer quem abriu a porteira. Hoje, a imagem de Tanjiro com sua máscara de bambu e o haori xadrez é reconhecida muito além do público otaku — e isso, para qualquer obra, é a definição de fenômeno.

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