Jazz Jackrabbit: o coelho que morava nos CDs de shareware
Se você teve um PC nos anos 90, há uma boa chance de ter visto um coelho verde de óculos escuros correndo numa floresta alienígena enquanto atirava raios. Esse era o Jazz Jackrabbit, e ele estava em todo lugar: nos disquetes, nos CDs de shareware, nas revistas de informática.
A resposta do PC ao Sonic
Os consoles tinham seus mascotes velozes. O PC, em 1994, ganhou o seu: Jazz Jackrabbit, lançado pela Epic MegaGames.
Era um plataforma de rolagem rápida com tiro, inspirado abertamente no Sonic e no jogo Zool, do Amiga. A diferença é que ninguém esperava um PC daquela época segurar tanta velocidade na tela sem engasgar.
Coelho contra tartaruga terrorista
A trama é puro desenho de sábado de manhã: Jazz, o coelho, persegue Devan Shell, um vilão tartaruga, para resgatar a princesa Eva Earlong. O resto é correr, pular e atirar em tudo que se move.
O som ajudava muito. As trilhas, com aquele clima de techno noventista, ficaram na cabeça de muita gente que nem lembra de onde elas vieram.
O modelo shareware explica tudo
A razão de você ter jogado isso sem nunca ter comprado tem nome: shareware.
O esquema funcionava assim:
- O primeiro episódio circulava de graça, copiado à vontade
- Você jogava até cansar e passava o jogo adiante
- Para liberar o resto, era preciso pagar e receber os outros episódios
No Brasil, claro, o que mais circulava eram os CDs piratas que juntavam dezenas desses jogos. Jazz era figura carimbada em quase todos.
Quem estava por trás do coelho
Aqui mora a curiosidade mais saborosa. O design do jogo foi assinado por Cliff Bleszinski, o CliffyB, então um garoto programando na casa da mãe.
Anos depois, esse mesmo Cliff seria uma das cabeças por trás de Unreal e da franquia Gears of War. O coelho de óculos foi um dos primeiros degraus dessa carreira.
A continuação e o sumiço
Em 1998 saiu Jazz Jackrabbit 2, ainda mais polido e amado por quem acompanhou. Depois disso, o coelho praticamente sumiu do mapa.
Sem novos jogos para mantê-lo vivo, ele virou lembrança de uma era específica do PC — aquela dos CDs de shareware e das tardes na frente de um monitor de tubo. Vale o reencontro: os originais rodam liso em qualquer máquina moderna.
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