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Rock

Tool: a banda que fez o metal esperar treze anos e não pediu desculpas por isso

Existem bandas que lançam álbum todo ano para não sair do radar. O Tool fez o oposto: em mais de três décadas, lançou cinco discos de estúdio — e ainda assim nunca saiu de cena. É um dos raros casos em que menos trabalho publicado, não mais, virou parte da lenda.

Maynard James Keenan se apresentando com o Tool
Maynard James Keenan no palco com o Tool.

Los Angeles, 1990

O encontro que deu origem ao Tool aconteceu em 1989, quando Maynard James Keenan — que tinha estudado artes visuais em Michigan e passado por empregos como reformar lojas de animais — conheceu Adam Jones, então aspirante a profissional de efeitos visuais para cinema, por meio de um amigo em comum. Um ano depois, em 1990, formaram a banda em Los Angeles com o baterista Danny Carey. O baixista original foi Paul D'Amour, substituído em 1995 por Justin Chancellor, que segue na função até hoje. O primeiro lançamento oficial veio em 1992, o EP Opiate — só depois dele o Tool entrou em estúdio para o primeiro álbum.

Por que o Tool não parece nada do resto do metal?

A resposta começa na formação de cada integrante fora do metal convencional:

  • Adam Jones vinha do cinema e assina pessoalmente os vídeos surreais da banda, boa parte em stop-motion;
  • Danny Carey constrói as músicas em compassos ímpares e polirritmos raros no rock;
  • Maynard James Keenan trata o palco como instalação de arte, por anos preferindo tocar de costas ou nas sombras, longe do holofote de frontman tradicional;
  • A banda evita conceder entrevistas convencionais e durante anos pediu que o público não filmasse os shows.
Danny Carey tocando bateria em show do Tool
Danny Carey, baterista do Tool, construiu a fama da banda em compassos ímpares e polirritmos.

Cinco discos, quatro vezes no topo da parada

O mais raro no Tool não é só a demora entre discos — é o que acontece quando eles finalmente saem. Undertow (1993) chegou ao nº 1 da parada Heatseekers da Billboard. Ænima (1996) debutou em 2º lugar no Billboard 200, vendendo 148 mil cópias na primeira semana. Dali em diante, foi só topo: Lateralus (2001) estreou em 1º lugar com mais de 555 mil cópias vendidas na semana de lançamento — um número gigantesco para um disco de metal progressivo —, 10,000 Days (2006) repetiu o 1º lugar com 564 mil cópias, e Fear Inoculum (2019) fechou a sequência de três #1 consecutivos, com 270 mil unidades equivalentes na semana de estreia.

Lateralus e a matemática escondida na letra

Em Lateralus (2001), o Tool foi além do groove estranho: a contagem de sílabas da letra-título segue a sequência de Fibonacci, e a estrutura rítmica da faixa também brinca com essa progressão. É o tipo de detalhe que fãs passaram anos decifrando — e que ajudou a consolidar a fama da banda de esconder quebra-cabeças dentro das próprias músicas.

Três Grammys em três décadas diferentes

O reconhecimento oficial chegou em doses raras, mas certeiras. O Tool venceu o Grammy de Melhor Performance de Metal três vezes:

  1. 1998, com "Ænema";
  2. 2002, com "Schism";
  3. 2020, com "7empest".

Três vitórias na categoria colocam o Tool entre os atos mais premiados da história do Grammy de metal — numa carreira com só cinco álbuns de estúdio.

Treze anos de silêncio

Depois de 10,000 Days (2006), o Tool desapareceu dos lançamentos por treze anos, três meses e vinte e nove dias. A pausa não foi falta de vontade. Em 2007, o artista Cam de Leon processou a banda alegando não ter recebido crédito correto por obras usadas em capas e materiais do Tool. Quando a banda pediu à própria seguradora ajuda para se defender no processo, a seguradora moveu uma ação contra o próprio Tool, questionando como o grupo havia lidado com a disputa — o que travou a banda numa briga judicial multimilionária de quase uma década. Fear Inoculum só saiu em 2019, e debutou direto no topo das paradas, como se os treze anos não tivessem passado.

O silêncio como estratégia, não como sumiço

Enquanto a Justiça corria, Keenan manteve a cena abastecida com A Perfect Circle e Puscifer — e ainda cuidou dos vinhedos da Caduceus Cellars, a vinícola que fundou em Jerome, no Arizona, hoje reconhecida por ajudar a colocar o estado no mapa do vinho americano. A banda seguiu em turnê por anos antes mesmo do processo terminar. O resultado é uma lição estranha para a indústria da música: o Tool provou que dá para desaparecer treze anos, voltar maior do que saiu e ainda assim vender como se nunca tivesse ido embora.

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