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Games

Você jogou Boogerman nos anos 90 e provavelmente esqueceu

Tem um tipo de jogo que mora num canto embolorado da memória. Você jogou na casa de um amigo, devolveu o cartucho na locadora e nunca mais pensou no assunto. Boogerman é o caso clássico: você quase certamente encostou nele em algum momento dos anos 90 e hoje não lembraria o nome nem sob tortura.

Capa de Boogerman
Boogerman saiu primeiro no Mega Drive, em 1994, antes de chegar ao Super Nintendo.

Quem era esse super-herói nojento?

A história é tão absurda quanto o herói. Snotty Ragsdale é um milionário excêntrico que visita o laboratório do Professor Stinkbaum, onde está sendo construída uma máquina chamada Zap-o-Matic para mandar toda a poluição do planeta para uma dimensão paralela.

Dá tudo errado. Snotty espirra, a máquina explode, abre um portal e um braço gigante rouba a fonte de energia do aparelho. A solução? Correr até o banheiro, vestir a fantasia e virar Boogerman para atravessar o portal atrás do ladrão.

O jogo saiu pela Interplay em 1994 no Mega Drive e chegou ao Super Nintendo no ano seguinte.

Arrotos, peidos e meleca como arsenal

Na prática, era um plataforma 2D de fases longas. O que mudava era o arsenal:

  • Arroto e flatulência como tiros de curto e longo alcance
  • Meleca arremessada na cara dos inimigos
  • Um super-arroto que limpava a tela quando o herói estava carregado

As fases tinham nomes à altura do bom gosto: pântanos, cavernas nasais e esgotos. Cada uma exigia um pouco de exploração e um chefe no fim.

Era escatológico do começo ao fim, e era exatamente isso que vendia.

Gameplay de Boogerman
O herói atacava com arrotos, flatulências e meleca ao longo de mais de 20 fases.

Por que ele virou febre por cinco minutos

Boogerman pegou a onda do humor nojento que dominava o início dos anos 90 — a mesma que deu Ren & Stimpy na TV e os cards do Garbage Pail Kids nas bancas. Crianças adoravam, pais detestavam, e isso era o suficiente.

A revista Electronic Gaming Monthly chegou a premiá-lo como o personagem mais nojento de 1994. Para um plataforma de orçamento médio, era publicidade de graça.

E por que você esqueceu

Pelo motivo mais simples do mundo: ele não tinha onde se segurar.

Não virou franquia gigante, não teve um Sonic ou um Mario para sustentar a marca por décadas e chegou num momento em que o mercado estava entupido de plataformas com mascote. Quando a poeira baixou, sobraram os grandes — e Boogerman virou aquela lembrança vaga de "um jogo nojento que eu joguei uma vez".

Onde reencontrar o nojo hoje

A boa notícia para a curiosidade mórbida: o jogo é fácil de achar. Roda redondo em qualquer emulador de Mega Drive ou Super Nintendo, e a ROM original está preservada em acervos como o Internet Archive.

Dê dez minutos a ele. A nostalgia volta na primeira fase — e o humor de banheiro continua exatamente tão idiota quanto você lembra.

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