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Mangás e HQs

JoJo's Bizarre Adventure: como Hirohiko Araki transformou esculturas renascentistas em poses de mangá

Hirohiko Araki nasceu em 7 de julho de 1960, em Sendai. Quando começou a carreira, nos anos 80, o mangá de luta shonen só sobrevivia seguindo a fórmula de Dragon Ball e Hokuto no Ken. Araki decidiu ignorar a receita — e em 1987, na Weekly Shonen Jump, nasceu JoJo's Bizarre Adventure.

Jotaro Kujo e o elenco de JoJo's Bizarre Adventure: Stardust Crusaders
Jotaro Kujo e o elenco de Stardust Crusaders, a Parte 3 de JoJo's Bizarre Adventure que introduziu os Stands.

O mangá que não seguia as regras

Nada em JoJo nasceu para se encaixar. Enquanto o gênero shonen apostava em torneios de artes marciais e rivalidades escolares, Araki misturou vampiros, técnicas de respiração solar (o Hamon) e uma estética de moda europeia que nenhum outro mangá da época ousava usar. A série se estende por partes distintas, cada uma com um protagonista novo da mesma linhagem — e já passa de 35 anos de história.

De onde vieram aquelas poses?

Dois anos antes de criar JoJo, Araki viajou à Itália ainda nos seus vinte anos e voltou impressionado com as esculturas renascentistas que viu por lá. As poses marcantes dos personagens — chamadas em japonês de JoJo-dachi — nasceram diretamente da tensão e do movimento que ele encontrou nas obras de Michelangelo.

Um pouco de David Bowie no meio do caminho

A lista de referências não parou na escultura clássica: Araki também citou a capa do álbum Heroes, de David Bowie, como uma das imagens que mais o impactaram pela energia transmitida na pose do cantor.

Escultura renascentista clássica em pose dinâmica
As esculturas renascentistas vistas por Araki na Itália inspiraram diretamente as poses marcantes de JoJo.

Quando os fantasmas viraram Stands

A Parte 3, Stardust Crusaders, é hoje a mais popular da franquia — e o motivo é uma virada de mecânica. Araki reduziu o peso dos vampiros e do Hamon e introduziu os Stands, manifestações visuais do poder espiritual de cada personagem. O sistema pegou tão bem que segue central na série até os arcos mais recentes.

Nomes que são homenagens musicais

Araki é fã declarado de música, e isso vaza em quase todo nome de personagem ou Stand. Alguns exemplos diretos:

  • Killer Queen — em referência à banda Queen;
  • Sticky Fingers — álbum clássico dos Rolling Stones;
  • Gold Experience — inspirado em Prince.

O mesmo vale para as roupas: o interesse pessoal de Araki por moda molda o guarda-roupa exagerado de cada elenco, parte do motivo pelo qual JoJo virou referência visual fora do próprio mangá.

Quase 40 anos e ainda bizarro

Poucas séries shonen sobrevivem quase quatro décadas sem perder a identidade. JoJo conseguiu porque nunca tentou se normalizar — trocou de protagonista, de mecânica e de década, mas manteve a pose renascentista, a trilha sonora escondida nos nomes e o gosto por ser, literalmente, bizarro.

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