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Mangás e HQs

X-Men: a origem da equipe de mutantes que redefiniu os quadrinhos

Poucas equipes de super-heróis carregam tanto peso simbólico quanto os X-Men. Criados para lutar contra preconceito com metáfora em vez de discurso, quase não sobreviveram à própria década de estreia — e hoje são um dos pilares mais rentáveis da Marvel.

Capa clássica de X-Men com a equipe Marvel
Criados em 1963, os X-Men usaram mutação como metáfora para preconceito.

1963: Stan Lee e Jack Kirby criam os mutantes

"The X-Men" #1 chegou às bancas em setembro de 1963, criação de Stan Lee e Jack Kirby. A ideia central já vinha pronta: em vez de heróis que ganham poder por acidente (aranha radioativa, raios gama), os X-Men nascem mutantes — a diferença já está no DNA, visível ou não, e a sociedade reage a ela com medo. A equipe original reunia Ciclope, Fenômeno (mais tarde Marvel Girl, a futura Jean Grey), Fera, Anjo e Homem de Gelo, todos recrutados e treinados pelo Professor Charles Xavier.

Um time que quase foi cancelado

O sucesso não veio rápido. No fim dos anos 1960, as vendas de "The X-Men" tinham caído tanto que a Marvel parou de produzir histórias inéditas — a revista sobreviveu anos só com reedições de material antigo. Para uma editora que só mantinha títulos lucrativos, os X-Men estavam a um passo do cancelamento definitivo.

Giant-Size X-Men #1 muda tudo

A virada veio em 1975, com "Giant-Size X-Men" #1, escrito por Len Wein e desenhado por Dave Cockrum. Em vez de revitalizar o time original, a Marvel apostou numa equipe quase toda nova — e internacional, algo raro em quadrinhos americanos da época.

Time original (1963) Nova equipe (1975)
Ciclope (EUA) Wolverine (Canadá)
Marvel Girl (EUA) Tempestade (Quênia)
Fera (EUA) Colossus (URSS)
Anjo (EUA) Noturno (Alemanha)
Homem de Gelo (EUA) Banshee (Irlanda)

Logo depois, o roteirista Chris Claremont assumiu o título e ficaria à frente dele por 16 anos ininterruptos — o reinado mais longo já visto numa revista de super-herói mainstream.

Dark Phoenix e o preço do poder

Foi sob Claremont, ao lado do desenhista John Byrne, que surgiu em 1980 a "Saga da Fênix Negra": Jean Grey, tomada por uma entidade cósmica, ganha poder capaz de destruir estrelas inteiras — e a série precisa decidir o que fazer com uma heroína que virou ameaça existencial. É considerada até hoje uma das histórias mais influentes já publicadas em quadrinhos de super-herói, citada por roteiristas de gerações seguintes como referência de como tratar consequência de verdade.

Jean Grey como a Fênix Negra nos quadrinhos X-Men
A Saga da Fênix Negra, de 1980, é considerada uma das histórias mais influentes do gênero.

Da página para a tela

A popularidade dos X-Men extrapolou os quadrinhos com o desenho animado de 1992, que apresentou o time a uma geração inteira fora do circuito de lojas de HQ. O salto para o cinema veio em 2000, com "X-Men", dirigido por Bryan Singer — filme que ajudou a provar a Hollywood que adaptação de super-herói podia ser levada a sério, abrindo caminho para a onda de franquias que dominaria os anos seguintes.

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